sábado, 24 de setembro de 2016

Decor | 44

[Imagem retirada daqui]

Esta cozinha é tão, tão gira.
Quero uma igual, para poder enchê-la de doces e bolos e outras coisas que fazem igualmente mal ao corpo mas extremamente bem à alma!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Outono


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Sempre gostei do Outono. Sem razão nenhuma e por todas as razões. Gosto da sensação de serenidade que o Outono me traz, dos cheiros que se misturam e que invadem os meus sentidos. Encaro o Outono como uma espécie de esperança renovada, não uma esperança frenética e ansiosa como aquela que a Primavera nos dá, mas sim uma esperança madura e serena que sabe que algo de bom vai mesmo acontecer. E depois há todas as tonalidades de amarelos e castanhos e encarnados que preenchem as ruas empedradas e cinzentas. Há o sol que aquece mais a alma do que a pele. Os dias encolhem-se na sua timidez, dando lugar a noites que se agigantam e nos permitem sonhar mais um pouco. As primeiras chuvas dão de beber à terra seca e deixam no ar aquele aroma de terra humedecida que nos transporta à nossa infância e à magia que tudo nos causava. As lareiras acendem-se novamente, deixando o fogo crepitar, livre, enquanto nos aninhamos no sofá, enrolados em mantas, tendo por companhia um livro, uma chávena de chá ou uma mão amiga. O Outono pode ter roubado o Verão onde tudo era possível mas, em compensação, traz-nos a promessa de dias em que podemos serenar o coração e renovar a alma, os caminhos, os sonhos, a vida.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O Drama, a Tragédia, o Horror



Hoje esqueci-me do telemóvel em casa. Em muitos, muitos anos foi a primeira vez que tal me aconteceu. Quando chego ao metro e percebo que não tenho o telemóvel na carteira foi como se todo o meu mundo ruísse. Comecei a hiperventilar, com taquicardia e até me vieram as lágrimas aos olhos [ridículo, eu sei, mas foi mesmo isso que aconteceu]. Basicamente, tenho metade da minha vida no telemóvel. É com ele que envio dezenas de emails todos os dias, faço marcações, agendo visitas com os utentes, onde tenho o meu horário de cada mês, enfim, a minha vida profissional depende muito de tudo o que lá tenho. Daí o pânico que se instalou em mim. Já para não falar da parte de lazer. Enfim, todo um drama se fez na minha mente insana. Ainda ponderei voltar atrás para o ir buscar. Sim, pus a hipótese de chegar atrasada ao trabalho por causa do telemóvel. Mas não o fiz. E, milagre dos milagres, consegui sobreviver a um dia inteirinho sem este pequeno aparelho de demo. E percebi a dependência que tenho dele. Uma pessoa nem se apercebe do como está 'agarrada' até ao dia em que isto acontece. Fiquei seriamente preocupada comigo mesmo quando quase tive uma crise de ansiedade por causa de me ter esquecido do telemóvel em casa. A verdade é que é como se ele já fizesse parte da nossa anatomia, como se fosse um braço ou uma mão que temos a mais e sem a qual já não conseguimos viver. E isto é grave. E nada saudável. Estes lindos aparelhos electrónicos vieram ajudar-nos em muito, mas também nos tornaram altamente dependentes deles. E tudo aquilo que provoca dependência não é bom. Assim como assim, tenho de começar [urgentemente] a deixar de estar tão dependente de um simples aparelho electrónico. E praticar a arte do desapego [quando uma pessoa pensa que já está num nível energético acima, acontecem estas coisas para me fazer perceber que ainda sou um simples e reles ser vivo dependente de coisas tão parvas como de um telemóvel].

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Sábias Palavras


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"Viver sem sonhos é terrível. Sonhar faz parte da vida, em qualquer idade."

Ontem ouvi um senhor, já com uma certa idade, dizer esta frase no metro, em conversa com dois jovens adultos. Não percebi o contexto da conversa, só apanhei mesmo esta frase quando ia a sair. E passei o resto do dia a pensar em como isto é verdade. Uma vida sem sonhos não é uma vida por inteiro. Precisamos de sonhar para nos mantermos conectados com nós próprios e com o Universo. Porque o sonho é, precisamente e em muitas alturas da nossa vida, o elo de ligação com o mundo. Quantas e quantas vezes não foram os sonhos que me ajudaram a levantar de manhã. Ainda hoje é assim. Já passei por uma fase em que deixei de sonhar. E quase me destruí. Os sonhos são uma espécie de alimento para a alma. Sejam sonhos mais palpáveis, como ter uma casa no centro da nossa cidade preferida ou fazer aquela viagem que tanto queremos, ou sonhos mais megalómanos, como comprar uma carrinha pão-de-forma e percorrer o mundo de lés a lés, de preferência com alguém que nos ame ao lado. O que importa é que são sonhos. O que importa é que, enquanto o nosso coração os tem por perto, a vida torna-se mais bonita e colorida, adornada por esperanças e objectivos. Nem sempre os sonhos se concretizam. E quando isso acontece a dor é grande. Mas, logo, logo encontramos outros sonhos, com outras cores e outros destinos. O importante é não deixar de sonhar. Porque, afinal, viver sem sonhos é mesmo terrível e, diria mesmo, uma forma de morrer aos poucos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Leituras | D. Francisca de Bragança - A Princesa Boémia

[Fotografia da minha autoria]

Depois de um livro tão intenso como o Pintassilgo, decidi voltar aos romances históricos [que sacrifício tão grande!!]. Desta feita, trago-vos este livro que narra a vida de D. Francisca de Bragança, filha de D. Pedro IV [Imperador do Brasil] e irmã da rainha D. Maria II [a querida Mana Chica de D. Maria da Glória, rainha de Portugal]. Francisca de Bragança nasceu no quente Brasil, perdendo os pais muito cedo, sendo a sua educação entregue às suas amas e damas. Cresceu fechada num palácio desprovido de afectos, mas nem por isso deixou de se tornar numa criança irreverente e um tanto rebelde, que dizia tudo o que pensava. Com apenas treze anos, perde-se de amores por D. Francisco d'Orléans, filho dos reis de França e, anos mais tarde, casa-se com ele, por amor. Após o casamento, parte para França, onde todo um mundo novo lhe é apresentado. Juntamente com o seu apaixonado marido, Francisca entrega-se aos prazeres da noite parisiense, privando com artistas e pensadores, entre eles Victor Hugo. Devido à queda da monarquia em França, Francisca e a família parte para o exílio em Inglaterra, onde vive durante vinte anos, regressando, por fim, a França, onde termina os seus dias ao lado do marido.

A história de D. Francisca tocou-me pelo facto de ter vivido uma vida feliz e um casamento de amor, coisa tão rara naqueles tempos, em que os casamentos eram forçados, sem amor e pautados por infidelidades constantes. Este livro não tem uma carga tão pesada como outros romances históricos que já li, o que é bom. No entanto, e na minha modesta opinião, acho que lhe falta algo, talvez mais emoção. Sim, é isso, falta-lhe emoção. Acho também que a história poderia estar mais bem explorada e aprofundada, pois há momentos importantes que são descritos com alguma superficialidade. Fora isso, é um bom livro, em que recordamos mais alguns factos históricos e em que ficamos a conhecer mais uma mulher especial, cheia de personalidade e de garra. Vale a pena ler!

sábado, 17 de setembro de 2016

Decor | 43

[Imagem retirada daqui]

Tenho uma espécie de adoração por estas banheiras.
Já só consigo imaginar espuma e velas perfumadas e uma flute de espumante a acompanhar [eu que até nem gosto de álcool]. Oh well!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Há Amores Assim | A Carta


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Meu amor de algum dia, não me prendas, não me julgues. Não me perguntes o que não sei responder. Limita-te e ler-me nos olhos, na pele e na alma. Por certo encontrarás sossego para as tuas inquietações. Não tentes focar a minha atenção num só dia. Preciso de tempo, de habituação. Cresci na espera, nem sempre doce, de um amanhã melhor. Aprendi a conjugar-me devagar, entre ritmos, poemas e compassos. Não me peças que mude de sítio ou que corte rente as minhas raízes. Já andei por esse mundo sozinha, em comboios vazios, perdida nos ares de outras gentes. Penei para regressar ao conforto e não tenho vergonha de assumir este amor pelo que é meu desde nascença. Não me peças que pare de sonhar. Se tal me pedires, despede-te de mim, pois nesse exacto momento morrerei. Da mesma forma que não me peças para não me perder durante horas sem termo nos meus versos e poemas, nas minhas palavras e nas palavras dos outros. Se tal me pedires, não serei mais por inteiro, não saberei mais dar-te amor. Meu amor de algum dia, não me iludas nem me magoes. Não querias fazer de mim o que eu não sou. Não me peças para deixar de lado as flores e a minha excentricidade no andar e no escrever. Não me peças para ser mais aventureira ou mais forte. A força que em mim há não se vê a olho nu, está escondida, engarrafada num frasquinho de cristal que só se quebra em caso de emergência. Não me peças para apagar as marcas que trago na alma. São elas que me definem, que me contam e narram. Se quiseres aprender sobre mim, aprende a ler essas marcas, não tenhas medo de tocar nas cicatrizes nem de redesenhar as tatuagens. Meu amor, meu querido amor de algum dia. Se vieres, vem por bem. Se ficares, dá-me sossego. Serena o meu ser e aceita-me como sou. Aprende a conviver com o meu feitio estranho, aprende a escutar os meus silêncios, aprende a desfrutar das minhas palavras. Não queiras que eu tenha horários para tudo e dias para cada coisa. Vivo de acordo com a maré das emoções. Faço dos dias noite e da noite dias inteiros. Senta-te ao meu lado, dá-me a mão e desfruta do momento. Sem importar se estamos na Primavera ou já no Outono. Olha para mim e não digas nada. Dá-me, apenas, a melodia do teu coração, a verdade dos teus gestos, a segurança do teu abraço, a liberdade do teu amor. Meu amor, meu querido amor de algum dia. Não tenhas pressa. Mas não te demores.