24 janeiro, 2017

Um Dia Zen




✻ Acordar com música calma.

✻ Fazer uma pequena meditação de cinco a dez minutos [agradecer por mais um amanhecer, estabelecer intenções para o novo dia, encher o coração de amor e serenidade].

✻ Beber um copo de água morna com limão [para desintoxicar o corpo].

✻ Tomar um banho de água quente.

✻ Praticar Yoga [quando não tenho aula faço a minha prática em casa, nem que seja apenas alguns ciclos de Surya Namaskar (Saudação ao Sol)].

✻ Tomar um pequeno-almoço nutritivo, com direito a frutos secos, cereais, fruta e sumo de laranja natural.

✻ Nos dias de trabalho: encarar mais um dia de trabalho com serenidade; mesmo quando não me apetece trabalhar, tento não pensar no trabalho como uma obrigação mas sim como um meio para me sustentar.

✻ Nos dias de folga: fazer uma caminhada, pôr a leitura em dia, conhecer novos lugares, estar com as pessoas queridas.

✻ Escolher uma refeição equilibrada e saborosa para o almoço.

✻ Chegar a casa, tirar os sapatos, vestir uma roupa confortável, acender umas velas e um incenso.

✻ Colocar uma música calma, relaxar um pouco.

✻ Prepara um jantar leve, com calma e amor.

✻ Sentar no sofá, ler mais um pouco.

✻ Beber uma chávena grande de chá.

✻ Meditar [agradecer por mais um dia, acalmar o corpo e a mente] ou fazer um auto-tratamento de Reiki.

✻ Deitar e dormir com o coração cheio e a alma serena, repondo energias para o dia de amanhã.





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22 janeiro, 2017

Tu És Capaz




"Não penses que não és capaz. És o que podes ser."

Por vezes, exigimos muito, demasiado, de nós mesmos. Não respeitamos o nosso tempo nem o nosso ritmo. E isso leva, várias vezes, a sentimentos de frustração e de insegurança. Quantas vezes achas que não és capaz? Quantas vezes a montanha te parece demasiado alta e o caminho demasiado íngreme? Quantas vezes desistes antes mesmo de tentares? Quantas vezes tens medo, um medo irracional que te paralisa e não te deixa sonhar?

Estes sentimentos de insegurança vêm de longe, há muito que estão impregnados na alma. São eles que minam a relação com que temos com o nosso eu interior, fazendo-nos acreditar que não somos capazes, que não somos bons o suficiente, que não vamos conseguir. E esse medo cria raízes profundas, que nos vão aprisionando, que vão condicionado os nossos passos e os nossos sonhos.

Há que quebrar esse medo, fazer-lhe frente, dissipá-lo da nossa vida. Se é fácil? Não, não é. Mas é possível, com dedicação, trabalho interior e aceitação. Aceitarmo-nos como somos, com todos as nossas mais valias e fraquezas, é importante para desenvolvermos essa confiança em nós. Além disso, devemos ter sempre presente a ideia de que somos aquilo que podemos ser e de que fazemos aquilo que podemos fazer com os recursos que temos. E quando assim é, quando damos tudo de nós, não temos porque nos culpar pois, se correu bem, óptimo, se correu menos bem, ao menos temos a certeza, no nosso coração, de que fizemos o que podíamos. O importante é acreditarmos sempre no nosso valor e na pessoa capaz que somos.




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21 janeiro, 2017

Decor | 59

[Imagem retirada daqui]

Apaixonei-me por este bocadinho de sala.
Transmite-me paz, equilíbrio, serenidade e aconchego!




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18 janeiro, 2017

Ao Encontro de Mim




Uma das tarefas mais trabalhosas e longas é todo o processo que nos leva ao encontro de nós mesmos. Durante muito tempo, vivi completamente perdida, à deriva, sem saber quem era, o que queria e não queria, para onde ia ou onde queria ficar. Viver, para mim, era um estado automático, levado a cabo, muitas das vezes, pelos outros. Tudo isso fez com que não conseguisse conhecer-me ao certo durante o meu crescimento. Tudo isso fez com que as encruzilhadas da vida e as decisões a tomar despoletassem em mim estados de ansiedade que me deixavam mais perdida ainda. Só há pouco tempo atrás [um ano e meio, mais ou menos], quando decidi e quis mudar de vida, é que comecei este processo de me conhecer, de encontrar o meu verdadeiro eu. Desenganem-se se pensam que é algo fácil e rápido. Não é. É um trabalho demorado, exigente, por vezes cansativo. Há dias em que pensamos que já nos conhecemos na totalidade. E há dias em que olhamos no espelho e vemos um estranho. Há dias em que temos todas as respostas na ponta da língua. E há dias em que mergulhamos num estado de confusão total.

A boa notícia é que é mesmo assim. Faz parte do processo de auto-conhecimento todos estes altos e baixos, todos estes avanços e recuos. O nosso eu interior, apesar de maravilhoso, nem sempre se revela facilmente. É necessária uma busca incessante e persistente para o encontrarmos. O segredo é não desistir, não desistirmos de nós.

Neste meu processo de descoberta interior, muitas são as dúvidas e os receios com os quais me deparo diariamente. E quanto mais me conheço, maiores e mais profundas são as questões que surgem. E lá vou eu remexer no fundo da alma e nos baús do coração para tentar encontrar as respostas. Um dos métodos que mais me ajuda neste processo é a meditação. Quando estou a meditar, a minha energia eleva-se e equilibra-se, os medos, os receios, as crenças, tudo deixa de existir. E é nesse momento em que me conecto com o mais puro de mim que consigo avançar mais um pouco em direcção àquilo que sou de verdade. É um caminho longo e árduo, com paisagens belíssimas e com rochedos enormes, com dias de sol e com momentos de tempestade. Mas vale a pena. Tudo aquilo que nos leva ao encontro de nós vale a pena.




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17 janeiro, 2017

Escuta o teu Corpo

[Imagem retirada daqui]
O nosso corpo é um dos nossos melhores amigos. Nem sempre olhamos para ele como tal. Na maioria das vezes, até nos esquecemos das suas partes [sem as quais o todo não funciona] e só quando uma delas deixar de funcionar direito é que nos damos conta da sua existência. O nosso corpo é a nossa afirmação física na terra. É através dele que fazemos as mil e uma coisas que nos são destinadas no dia-a-dia. É através dele que vivemos o plano físico, tão importante para que tudo o resto se possa manifestar também.

Acontece que, muitas, muitas vezes, esquecemo-nos do nosso corpo. Desaprendemos a escutá-lo. Temos atitudes e acções que o magoam. Deixamos de nos importar com ele. Deixamos de o respeitar. E por mais sinais que ele nos envie, por mais mensagens subtis que ele tente fazer chegar-nos, a verdade é que nós só percebemos que algo não está bem quando ele grita. E quando ele grita, é porque chegou ao limite.

Como vocês já sabem, tenho fibromialgia, cujos principais sintomas são físicos. A dor, a fadiga e outras alterações acabam por comprometer o meu bem-estar físico. Antes de ser [finalmente] diagnosticada, estive vários meses com estes sintomas. Aliás, já há alguns anos que tinha sintomas subtis. Hoje sei que era o meu corpo a alertar-me, a tentar dizer-me para parar, para tentar perceber o que se estava a passar. Mas eu nunca valorizei. E continuei com o meu ritmo de vida alucinado, com a minha ansiedade desmedida, com as minhas frustrações recalcadas, a fazer coisas que não gostava, a ser completamente infiel a mim mesma. Foram anos de desrespeito para comigo mesma. Todas essas mazelas emocionais acabaram por ter repercussões físicas. E o meu corpo avisou-me, tantas e tantas vezes. Mas eu não o escutei. E só quando ele começou a gritar desesperadamente, só quando não consegui aguentar mais a dor e tudo o resto, é que me dei conta da sua existência e do quanto ele estava a sofrer.

Hoje já temos uma relação mais cúmplice. O Reiki, o Yoga, a meditação, as terapias complementares e todo este processo de luta por uma qualidade de vida o melhor possível, ensinaram-me a conhecer melhor o meu corpo, a saber até onde ele pode ir, a conhecer as suas capacidades e o seu potencial, a respeitá-lo, a escutar o que ele me diz.

Tudo isto para vos dizer [e pedir] para estarem atentos ao vosso corpo. Invistam algum do vosso tempo a escutá-lo, a tentar perceber o que ele vos diz, se está tudo bem, se há algo que não está em harmonia e equilíbrio. O Yoga é óptimo para nos ajudar a perceber e a escutar o nosso corpo. As asanas [posturas] ajudam-nos a entender até onde podemos ir e a estabelecer o nosso ritmo. Acabamos por descobrir músculos que 'desconhecíamos' até então. Aprendemos a saber que algo não está bem quando não conseguimos concretizar uma postura que já nos era fácil. Aprendemos a respirar [e a importância da respiração para tudo o resto]. E quando apuramos todas estas capacidades, torna-se mais fácil entender o que o nosso corpo nos diz e agir em conformidade.




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16 janeiro, 2017

Leituras | Cem Anos de Solidão


Já tinha este livro na prateleira para ler há imenso tempo, mas a verdade é que surgiam outros que me despertavam mais interesse na hora e este lá ia ficando esquecido. No início deste ano, uma das metas a que me propus foi deixar de acumular livros por ler e só comprar um livro novo quando não tivesse mais nenhum para ler [estou para ver até quando vai durar esta determinação!]. Mas voltando ao assunto, decidi, finalmente, ler este clássico e só tive vontade de me esbofetear por não o ter lido mais cedo.

Desconcertante e arrebatador são as palavras que, para mim, melhor definem Cem Anos de Solidão. Agora percebo o porquê deste livro ainda ser tão aclamado, mesmo já tendo passado mais de cinquenta anos da sua publicação. O livro relata a história da família Buendía ao longo de mais ou menos um século. Começa com a história de José Arcadio Buendia, patriarca da família e fundador da aldeia de Macondo, e vai-se desenrolando à medida que novas gerações vão nascendo. O que torna este livro tão especial é a conjugação da fantasia com uma realidade dilacerante, onde os sentimentos irreais e exagerados se misturam com mágoas e tristezas profundas, o tal estado de solidão que é transversal a todos os Aurelianos, Arcadios, Amarantas e Remédios da família Buendía.

Confesso que me é difícil descrever este livro. Apesar de, e como já referi, ser pautado por uma dose generosa de fantasia, e misticismo até, faz-nos reflectir acerca da condição humana, da relação entre pares, dos sentimentos que nem sempre têm explicação e da solidão que é capaz de engolir as pessoas sem que elas se dêem conta. Além disso, acabamos sempre por nos identificar com as personagens, apesar da sua excentricidade, pois, no fundo, representam cada um de nós, com os nossos exageros, as nossas quimeras, os nossos sonhos e as nossas paixões.

Depois de ter tido este livro empoeirado e esquecido numa estante durante tempo demais, posso dizer que se tornou num dos meu preferidos de sempre. Atrever-me-ia a dizer que é mesmo leitura obrigatória e necessária. Além disso, é daqueles livros que não se consegue para de ler. Não façam como eu e, se tiverem oportunidade, leiam esta obra prima logo que possam pois vale tanto, mas tanto, a pena.





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14 janeiro, 2017

Decor | 58

[Imagem retirada daqui]

Eu sei que isto é um quarto de criança. Mas apaixonei-me perdidamente por esta cama de dossel com luzinhas!
Como já disse, há uma eterna criança dentro de mim!




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11 janeiro, 2017

Tea Time

[Fotografia da minha autoria]

Life is a flow of love. Your participation is requested.

Há já algum tempo que adquiri o hábito de beber uma chávena [gigante] de chá à noite, enquanto leio ou escrevo. Digamos que é o meu momento de relaxamento, a sós comigo, com as velinhas aromáticas que gosto de acender e com a música zen que me ajuda a entrar num estado de serenidade que me preenche. Uma das gamas de chás que mais gosto são os da Yogi Tea, que compro nas lojas Celeiro. Há uma variedade imensa [detox, relaxantes, energizantes, entre muitos outros]. E os sabores são maravilhosos. Além disso, cada saquinho traz uma mensagem inspiradora [como podem ver na fotografia acima] que depois podem guardar. Eu costumo guardá-las numa caixinha para depois, quando estiver a precisar de inspiração, tirar uma mensagem à sorte e interpretá-la à luz do momento.

E vocês, também têm por hábito beber chá ou nem por isso?





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10 janeiro, 2017

Be Yogi | Superação

[Ilustração de Katrinn Pelletier - retirada daqui]

O Yoga, além de muitas outras coisas, está a ajudar-me a tomar consciência do meu corpo e da sua dinâmica. Como vocês bem sabem, sempre fui uma pessoa sedentária e preguiçosa. Nunca gostei de exercício físico. Quando andava na escola, inventava mil e uma desculpas para não fazer as aulas de educação física. Tirava sempre uma nota vergonhosa. Era sempre uma das últimas a ser escolhida para as equipas. Dar cambalhotas era uma utopia e todos os jogos que evolvessem uma bola era algo que me aborrecia sobremaneira. Essa falta de interesse em mexer o corpo prolongou-se vida fora. Já na faculdade, e depois, inscrevi-me várias vezes em ginásios mas nunca me aguentei além do primeiro mês. Começava cheia de motivação e objectivos mas rapidamente as máquinas e os abdominais me provocavam um tédio medonho.

Quando fiquei doente [não gosto nada de dizer isto mas ainda não encontrei um código para substituir este facto] foi-me aconselhado fazer algum tipo de actividade física, nada de muito agressivo, mas algo que me ajudasse no alívio da rigidez muscular e das cãibras. Como já há algum tempo que o Yoga fazia parte dos meus planos, decidi que era a altura ideal. No entanto, adiei muito a decisão de começar, efectivamente, as aulas. Isto porque pensava que a minha falta de flexibilidade, a minha preguiça congénita e a minha falta de jeito para tudo o que envolvesse tirar os pés do chão, nunca me iriam permitir fazer aquelas posturas que, na minha cabeça, eram impossíveis de concretizar. Estava tão enganada. Primeiro, porque o Yoga e toda a sua filosofia é algo que nos faz sentir integrados, ou seja, todas as pessoas têm capacidade para praticar, independentemente do seu estado físico, flexibilidade ou crença. Segundo, o Yoga provou-me que até a pessoa mais descoordenada e sem jeito é capaz de fazer as posturas. Claro que leva tempo, claro que não conseguimos fazer tudo de forma perfeita logo nas primeiras aulas. Mas o importante é a nossa vontade, o nosso querer, a nossa entrega àquele momento de amor e compreensão para com o nosso templo [o nosso corpo e a nossa alma].

Tudo isto para vos dizer que a menina sedentária, preguiçosa e descoordenada, que morria de medo de cambalhotas, hoje conseguiu fazer uma postura invertida [uma espécie de pino], com a ajuda de umas cintas elásticas, é certo, mas consegui e a sensação de superação deixou-me com um sorriso gigante o resto do dia. Quando a nossa vontade é verdadeira, não há medo nem limitação que nos pare. E quanto mais conhecemos e nosso corpo, quando tomamos consciência de cada parte que o constitui, quando conseguimos uni-lo à mente e ao coração, tomamos consciência das suas capacidades, do seu ritmo, do seu tempo. E há que respeitar esse ritmo e esse tempo, até porque no Yoga não há pressa nem pressão, apenas amor e compreensão para com tudo aquilo que somos.





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08 janeiro, 2017

Acredita em Ti




"Pode parecer impossível escalar o topo da montanha que sobe alto no céu, mas irás encontrar uma forma se tentares. Há um caminho se houver uma vontade."

No dia de hoje, em particular, este pensamento de Meiji fez todo o sentido. Há momentos em que sentimos que o caminho que desejamos percorrer é demasiado tumultuoso e íngreme, que a montanha com a qual nos deparamos é demasiado alta e impossível de escalar. No entanto, dentro de nós, há uma força e uma coragem gigantes. Por maior que seja o medo, provocado por recordações dolorosas de outrora, a nossa perseverança e a nossa fé é maior, maior do que todos os medos, maior do que todos os obstáculos, maior até do que a montanha gigante que quase nos impede de ver o Sol. Mas ele está lá, o sol brilhante cujos raios hão-de guiar os nossos passos, acalentar a nossa alma, confortar as nossas dores e acolher-nos no final do caminho, lá no topo da montanha. Não desistas. Tu vais conseguir escalar todas as montanhas da tua vida. Eu acredito que sim! Namasté!




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07 janeiro, 2017

Decor | 57

[Imagem retirada daqui]

Gostei muito desta sala simples, com a parede em madeira branquinha e aquele acessório super giro lá pendurado.
E as almofadinhas no chão são tão perfeitas para fazer meditação ou simplesmente sentar e relaxar.




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05 janeiro, 2017

Sábias Palavras

Há dias em que somos como a flor, que permanece imóvel e doce, recebendo o que a natureza lhe dá. Ora o sol que lhe aviva a cor, ora a chuva que lhe sacia a sede. Há dias em que devemos aceitar com serenidade e alegria as dádivas do Universo, aquilo que nos faz bem e felizes, aquilo que nos alimenta a alma e nos sossega o coração. Devemos saber receber, devemos saber ser agraciados e reconhecidos pelo nosso valor. Não há mal nenhum nisso.

Há dias em que somos como a chuva que cai do céu e dá de beber à terra e a tudo o que nela há. Há dias em que devemos ser nós a dar, a oferecer o que de melhor há em nós, seja aos outros seres, seja ao nosso planeta. Dar com o coração, sem esperar retribuição, é uma virtude. Como a chuva que cai sem pedir licença, também nós podemos abrir o nosso coração e partilhar com o mundo a bondade que nos define. Por vezes, basta um simples sorriso e o mundo fica mais colorido e menos sedento de amor.



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04 janeiro, 2017

Equilíbrio

[Imagem retirada daqui]

Hoje em dia, muito se fala na filosofia zen e da importância do equilíbrio na nossa vida. E ainda bem que assim é. No entanto, nem sempre é fácil passar da teoria à prática ou aplicar o conceito de equilíbrio no nosso dia-a-dia. Permanecer em equilíbrio é fundamental para o nosso bem-estar. É conseguir estar no caminho do meio, nem muito lá em cima, com a cabeça completamente nas nuvens [se bem que é uma sensação tão boa], nem muito cá em baixo, com o coração completamente fechado e com viseiras nos olhos. Posso dizer que já experimentei os dois lados. Já fui a pessoa mais céptica e racional à face da terra, só acreditava naquilo que podia ver e tocar e achava que o mundo era um lugar a preto e branco, sem possibilidade para explorar novas cores, novas dimensões e novos mundos. Depois, também já experimentei o outro lado, o lado do êxtase e do caminhar sobre as nuvens. Apesar de ser muito bom, não convém viver sempre nesse estado utópico, com a alma a levitar, alheados ao mundo que nos rodeia. Temos de estar presentes no aqui e agora, tomar consciência do que nos rodeia, estar atentos e vigilantes. O segredo é, como já referi, encontrar o caminho do meio, o equilíbrio entre o racional e o espiritual, entre a mente e o coração. Nem sempre é fácil, principalmente quando nos iniciamos neste mundo maravilhoso que é o mundo espiritual. Contudo, não nos podemos esquecer que somos seres humanos, feitos de matéria e, como tal, temos de nos manter enraizados neste mundo terreno e cuidar do nosso planeta pois, no fundo, é a nossa casa e o nosso sustento.

Há muita gente que me pergunta, ironicamente, porque é que continuo a trabalhar e a comprar coisas e a viver de forma mundana se me considero tão espiritual. A resposta é simples: continuo a ser um ser-terreno que precisa de trabalhar para se sustentar, que tem os seus prazeres terrenos, que gosta de comprar uma roupa nova e livros em demasia. Somos todos assim. Divinos e terrenos. Não podemos esquecer as duas partes. E devemos trabalhar no sentido de encontrar o equilíbrio entre esses dois mundos, para podermos viver uma vida ainda mais feliz.





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02 janeiro, 2017

Leituras | Perguntem a Sarah Gross



Já há algum tempo que não escrevo nesta rubrica. Não porque não tenha lido [tenho lido imenso] mas simplesmente porque me ia passando. Uma vergonha, eu sei. Mas acabou. E para começar o ano, trago uma review do último livro que li - Perguntem a Sarah Gross. Este livro, escrito por João Pinto Coelho, foi finalista do prémio Leya [e agora percebo porquê]. É um livro bastante interessante, que aborda a temática da Segunda Guerra Mundial de uma forma diferente, mas nem por isso mais leve.

Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, decide atravessar os Estados Unidos para dar aulas no colégio de St. Oswald's, dirigido pela enigmática e cativante Sarah Gross. No colégio mais elitista da América, Kimberly encontra uma espécie de refúgio para se esconder de um segredo que a persegue há muito tempo. À medida que a história avança, encontra em Sarah a força necessária para pôr fim ao que a atormenta, estando longe de imaginar que o pior está por acontecer. É depois de um trágico acontecimento que Kimberly vai conhecer a verdadeira Sarah Gross e a sua história de força e coragem.

Gostei deste livro. É simples, tem mistério e histórias reais pelo meio. Aborda aquele que foi o momento mais atroz e terrível da nossa história - o holocausto. Faz-nos perceber, uma vez mais, que a tirania dos nazis não conhecia limites, mesmo que muitos tentassem disfarçar a sua maldade por detrás de intenções supostamente 'boas'. Faz-nos perceber, uma vez mais, a coragem das mulheres nesta guerra, o seu instinto de sobrevivência, a sua tenacidade, o seu altruísmo. É impressionante como tantas conseguiram sobreviver à fome, ao frio, à violência, a uma morte certa. A personagem Sarah Gross deste livro representa essas mulheres.

Depois de ler este livro, fiquei com mais curiosidade ainda de conhecer Cracóvia e visitar os campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Quando digo isto, muitas são as pessoas que acham que eu sou masoquista por querer visitar um local de tanto sofrimento. É verdade, é um local de sofrimento. Quem lá esteve diz que ainda se sente o cheiro da morte. E sim, é contra-natura eu, uma pessoa que só quer ver o lado bom das coisas, ter esta vontade de conhecer algo com uma carga tão negativa. Ou então não. Ou, então, talvez precise mesmo desse confronto para ver o outro lado das coisas. e para perceber outras tantas.

É esta, então, a minha sugestão de leitura para começarem este novo ano. E sim, prometo, que vou começar a deixar as minhas sugestões literárias com mais assiduidade.



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01 janeiro, 2017

Hello 2017

[Ilustração de Carolyne Tillery]

E, de repente, já é ano novo. Tive uma passagem de ano atípica, em plenas ruas do Porto, com um frio tremendo, mas com a alma quentinha. Trabalhei o dia todo, um dia cansativo e extenuante, mas nem isso me impediu de sair à rua e pedir os meus desejos a olhar o céu. E agradeci, uma vez mais, por todas as dádivas. E emocionei-me. E voltei a olhar para o céu a sorrir. Terminei o ano no Porto do meu coração e comecei o ano a comer tiramisù, a minha sobremesa preferida, no meu restaurante favorito. O resto do dia foi passado no sofá, de pijama, a recuperar das emoções e a planear os próximos dias, a ler e a dormitar. E soube tão bem.

A partir de hoje, temos um ano inteirinho em branco pela frente. É como uma tela em branco, ou um caderno sem linhas, onde podemos desenhar e escrever mais uma parte da nossa história. Que não percamos a vontade de pegar nos lápis de cor e nas canetas, nas aguarelas de todas as cores e dos lápis de carvão e começar a fazer da nossa vida uma obra de arte, a mais bonita de todas. Que não nos falte energia positiva, equilíbrio e serenidade. Que os nossos dias sejam preenchidos com doçura e bondade. Que os nossos actos e afectos sejam o reflexo da pureza do nosso coração. Sejam felizes, sempre!




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31 dezembro, 2016

Bom Ano Novo

[Imagem retirada daqui]

O novo ano está mesmo aí à porta. E eu estou pronta para recebê-lo, de coração aberto e alma feliz. Estou preparada para este novo ano. Acredito que será um ano muito bom, muito próspero, recheado de dias de sol e de felicidade imensa. Não me perguntem porquê, apenas sei que assim será. E como não poderia deixar de ser, já tenho as minhas intenções escritas numa folha de papel, carregada de muito amor e confiança, para mais logo queimar na lareira. Dizem os mestres e sábios antigos que, quando escrevemos as nossas intenções e as queimamos, as mesmas ganham uma dimensão mais forte. No ano passado fiz isso e o certo é que resultou mesmo, por isso, vou repetir. Façam o mesmo, não têm nada a perder!

Tirando essas intenções, que são minhas e íntimas, os meus desejos para o novo ano é que seja um ano de mais concretizações. Que eu possa aprender mais. Que eu possa evoluir e tornar-me numa pessoa cada vez melhor. Que os dias de sol sejam muitos. Que não passe um dia sequer sem sorrir. Que haja saúde e paz e amor. Que as pessoas tomem consciência dos seus actos e reflictam sobre a sua conduta. Que haja mais tolerância, menos ganância e menos ego. Que haja mais humanidade, mais compaixão, mais bondade no coração de todos nós.

Para vocês, meus queridos leitores, minhas pessoas tão queridas, desejo, de coração, que este novo ano vos traga tudo aquilo que mais querem. Que os vossos dias sejam recheados com tudo o que é bom e doce. Não deixem de sonhar nem de acreditar que é possível. Confiem. Sorriam. Sejam o melhor que conseguirem ser. E sejam felizes, genuinamente felizes, é o que mais vos desejo.


**Bom Ano**





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29 dezembro, 2016

Obrigada 2016

[Imagem retirada daqui]

Se tivesse de escolher uma só palavra para atribuir ao ano que agora termina seria, sem dúvida, gratidão. É mesmo esse o meu sentimento em relação a 2016, uma profunda gratidão, por tudo. Foi um ano intenso, de muitas aprendizagens, mudanças e evolução. Cresci muito neste ano que agora termina, mudei muito, sinto mesmo que renasci. Encontrei o meu caminho e dediquei-me de alma e coração ao estudo das terapias complementares, um admirável mundo novo. Mudei a minha conduta e fiz as pazes com o meu passado. Reaprendi a gostar de mim de verdade. Reaprendi a ser feliz com as coisas mais simples. Li dezenas de livros e tenho outros tantos para ler. Completei mais um nível de Reiki e comecei a praticar Yoga. Estabeleci novos objectivos para a minha vida profissional e percebi o que realmente quero e não quero. Aprendi a dizer que não e o quanto isso é libertador. Meditei [quase] todos os dias. Escrevi muito. Conheci pessoas maravilhosas e cheias de luz. Libertei-me de pessoas tóxicas que me mantinham presa a pensamentos negativos [e que bom que isso foi]. Fechei um ciclo da minha vida e, aos poucos, começo a sentir-me preparada para voltar a amar alguém. Sorri, sorri muito, sorri tanto. Aprendi a ver nos momentos menos bons lições a aprender. Reaproximei-me de pessoas que são importantes na minha vida [e que bom que foi]. Consegui superar alguns medos. Aprendi a aceitar que tenho uma doença crónica, que não posso mudar isso mas que posso controlar. Inventei técnicas para me abstrair da dor [e resulta, na maioria das vezes]. Deixei de me vitimizar e de sentir pena de mim mesma. Tenho trabalhado a minha compaixão e bondade para comigo e para com os outros. Comecei a transição para um estilo de vida vegetariano. Mudei o rumo aqui do blogue e recuperei a vontade de aqui escrever e partilhar convosco o que vou aprendendo. E tantas, tantas outras coisas mais.

Por tudo isto e muito mais só posso estar grata. Grata ao Universo e à Vida por me terem dado uma nova oportunidade de ser uma pessoa melhor e mais completa. E ainda tenho tanto para aprender! O que será que o próximo ano me reserva? Amanhã irei partilhar aqui os meus desejos para o novo ano. Porque sim, devemos sempre estabelecer intenções e confiar e acreditar que as podemos concretizar!





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27 dezembro, 2016

Be Veggie | Entrevista com Nádia Carvalho Nunes


Desde que decidi mudar de vida, dedicando-me à minha evolução espiritual, comecei a pensar na possibilidade de adoptar um estilo de vida vegetariano. No fundo, é uma questão de coerência com tudo o resto. A maioria de vocês já conhece a Nádia  [do blogue Kill Your Barbies], vegan assumida e que vai partilhando connosco esse seu estilo de vida. Assim sendo, tive a ideia de a convidar para uma entrevista, que publico hoje aqui no blogue como forma de aprender e dar a conhecer um pouco mais sobre o veganismo/vegetarianismo, bem como a sua contribuição para um planeta mais sustentável. A Nádia é uma pessoa muito assertiva e acredito que as suas palavras nos farão aprender e reflectir. Resta-me agradecer-lhe, uma vez mais, pela disponibilidade e pela partilha.
Agora, vamos à entrevista. Espero que gostem!




1 – Olá Nádia. Antes de mais, obrigada pela tua colaboração. O que te levou a adoptar um estilo de vida vegan?

Gostava de me lembrar melhor, porque foi algo que começou muito cedo. Via as vacas nos camiões a ser levadas para o matadouro e começava a chorar - parecia-me absurdo que animais tão bonitos tivessem que morrer para eu comer. A primeira motivação, antes de ser ética, foi empática.


2 – Fizeste a transição imediata para o veganismo ou começaste pelo vegetarianismo? Para quem ainda não sabe, queres explicar as diferenças entre veganismo e vegetarianismo?

Ao nível conceptual, o vegetarianismo estrito implica a recusa da inclusão de produtos de origem animal na alimentação, ao passo que o veganismo estende a preocupação com o bem-estar animal a todos os aspetos da vida quotidiana, o que implica perceber que os animais não existem para servir os humanos. Muitos veganos dirão que o vegetarianismo é uma dieta sem ponderação ética e que o veganismo é um estilo de vida, mas eu sei que não é assim porque não foi essa a minha experiência – fui ovolactovegetariana (significa que não consumia carne ou peixe mas mantinha os ovos e derivados do leite) durante alguns anos, e a minha motivação sempre foi ética. Estava a fazer aquilo que conseguia na altura, e quando me senti preparada tornei-me vegana.


3 –No seguimento da questão anterior, em que consiste seguir um estilo de vida vegan [além da alimentação] em termos práticos?

Consiste em fazer o máximo que nos for possível para minimizar a exploração animal. Significa não comer produtos de origem animal, não usar peles, sedas, lãs, cosméticos testados em animais ou que contenham ingredientes de origem animal na sua composição, não ir a circos, touradas, parques zoológicos, etc. No entanto, ser vegano não é ser mártir – se estiver doente e precisar de tomar uma vacina ou um medicamento que tenha sido testado em animais, fá-lo-ei. Não há nenhuma bíblia nem mandamentos. Às vezes, quando as pessoas não estão familiarizadas com estas questões, perguntam-me se posso ou não comer esta ou aquela coisa. É importante que se perceba isto: eu posso comer um bife, não serei fulminada por um raio se o fizer. Mas escolho não o fazer.


4 – Há uma ideia pré-concebida de que os vegetarianos ou veganos têm uma dieta alimentar muito restrita pois não dispõem de grande variedade de alimentos de origem não-animal para confeccionarem as suas refeições. Queres desmistificar esse conceito?

É, a bem dizer, um disparate. Eu passei a gostar de comida precisamente quando deixei de comer animais. Quando comia carne e peixe a proteína animal era centro das minhas refeições e os acompanhamentos não variavam muito, pelo que tinha uma alimentação bem monótona. Enveredar a pelo vegetarianismo foi descobrir um universo de sabor, variedade e abundância – o oposto da conceção comum, portanto.


5 – Fazes algum suplemento alimentar [por exemplo, de vitamina B12] ou a necessidade deste tipo de suplementos numa alimentação vegan é mais um mito?

É verdade que uma dieta vegetariana tem que ser, inicialmente, bem planeada. Mas o mesmo é verdade para uma dieta que inclua animais e seus derivados, que é isso que as pessoas tendem a esquecer. Penso que o correto será consultar um/a médico/a ou nutricionista que seja ele ou ela própria vegetariana ou em quem confiem – isto, para mim, é muito importante, porque os médicos não são deuses, a sua formação académica não é imaculada e muito menos garantia de que estão livres de preconceito e desinformação. Uma dieta vegetariana pode fornecer todos os nutrientes necessários, exeto a vitamina B12. Mas como os humanos, à semelhança de outros animais, sintetizam B12 no trato intestinal, a necessidade de suplementação dependerá da capacidade de absorção de cada pessoa. De modo semelhante, os vegetarianos que consumam diariamente produtos como leites vegetais podem não precisar de suplemento, uma vez que esses alimentos são geralmente fortificados com B12.


6 – Desde que adoptaste este estilo de vida, quais são as alterações positivas que sentes na tua saúde e bem-estar?

Nos meus anos de ovolactovegetariana, consumia imenso queijo e ovos, muita comida excessivamente processada, muito sal, muito azeite. Recentemente adotei uma dieta alta em hidratos de carbono e relativamente baixa em gordura e, agora sim, senti uma grande mudança, particularmente ao nível do corpo – não tenho celulite e a minha pele melhorou muito.


7 – Qual foi a reacção dos teus familiares e amigos mais próximos quando lhes comunicaste o teu novo estilo de vida? Aceitaram ou criticaram?

Criticaram. É assim que as pessoas reagem ao que não conhecem, e ainda mais quando é uma decisão ética deste género. Repara que estás, através da tua dieta, a colocar a conduta daquela pessoa em causa, porque é como se estivesses a dizer que é possível viver sem matar. Muitas pessoas que comem animais, quando confrontadas com a mera existência de um vegetariano, têm tendência para achar “este tipo pensa que é melhor que eu” quando, na verdade, isso não é mais que o resultado da sua própria consciência.


8 – Hoje em dia, já é mais fácil encontrar restaurantes vegetarianos?

Depende muito do sítio. Portugal é um país com apenas duas cidades grandes, onde é facílimo encontrar restaurantes vegetarianos (em Lisboa há cada vez mais, o suficiente para, durante um mês, almoçar todos os dias num restaurante diferente), mas nos sítios mais pequenos não. Mas mesmos nesses casos, há sempre alternativas nos centros comerciais, nos restaurantes chineses, nas pizzarias (pedindo a pizza vegetariana sem queijo). Às vezes gosto de ir a um sítio não-veggie e pedir um determinado prato sem os produtos de origem animal, como forma de passar a mensagem de que estamos aqui e queremos alternativas.


9 – E no que diz respeito a produtos de beleza, por exemplo, é fácil encontrar marcas que não testem em animais?

Não sendo facílimo, não é impossível. É que existem duas questões: a dos testes em animais e a dos ingredientes de origem animal. A Too Faced, por exemplo, não testa nenhum dos seus itens de maquilhagem em animais e, adicionalmente, disponibiliza uma lista daqueles que são totalmente vegan-friendly. A Urban Decay é 100% vegan. Os produtos da Caudalie não contêm ingredientes de origem animal mas, infelizmente, a marca comercializa no mercado chinês, o que significa que os seus produtos são testados em animais. Geralmente, uma pesquisa rápida resolve o problema – conhecemos marcas novas e ficamos a saber quais, entre aquelas que conhecemos, são livres de crueldade.


10 - Numa sociedade que ainda mantém os seus preconceitos e as suas ideias rígidas, já alguma vez te sentiste, de certa forma, olhada de lado por seres vegan?

Claro, maioritariamente pela família, principalmente numa fase inicial, mas isso nunca me incomodou. Sou diferente em imensas coisas, esta é uma entre tantas e nunca tentei esconder a minha diferença. Também já fui julgada por veganos – por não ser ativista, por assumir que a saúde e a forma física foram a motivação que me faltava para abandonar os ovos e o queijo. E, claro, há os amigos que são capazes de abdicar de ir a um determinado restaurante para me acompanharem àquele em que existe opção vegetariana. São esses que valem a pena.


11 – Recentemente, fomos confrontados com uma reportagem sobre a desflorestação da Amazónia, o grande pulmão do nosso planeta, devido à conversão da floresta em terrenos de pasto para animais. O que pensas sobre tudo isto?

É algo sobre o qual já tinha conhecimento há bastante tempo – podemos atribuir à criação de gado bovino por 65% da desflorestação da Amazónia. E a nível global, a indústria agropecuária é uma das principais culpadas pela destruição de áreas verdes e pelo efeito de estufa. É assustador, mas não é inevitável, e cada pessoa tem o poder para ajudar a alterar essa realidade deixando de comer animais. O documentário Cowspiracy explica isto muito melhor do que eu poderia fazer.


12 – Na tua opinião, o veganismo é um dos grandes contributos para sustentabilidade do nosso planeta?

É impossível ser um ambientalista coerente sem ser vegano. Mas atenção – não chamo hipócritas a essas pessoas, é uma palavra que comecei a detestar porque vi usada de forma errada demasiadas vezes. Imagina uma pessoa que tenta reduzir a sua pegada de carbono, recicla, compra roupa em segunda mão, anda de autocarro mas come animais, quem sou eu para lhe dizer que, se não faz tudo certo, mais valia não fazer nada? É este o argumento que ouço tantas vezes contra os veganos, aquela ânsia de encontrar uma falha qualquer (que haverá sempre, porque somos pessoas) para justificar que o próprio não faça nada. Talvez um ambientalista não-vegano ainda desconheça a realidade da exploração animal, ou então está consciente mas ainda não fez a conexão ética. Independentemente do motivo, estará certamente a fazer alguma coisa, o que será sempre melhor que não fazer nada.


13 – Achas que as pessoas estão mais conscientes relativamente aos problemas que assolam o planeta terra ou nem por isso?

É difícil dizer. Acho importante lembrarmo-nos o quanto o mundo mudou em tão pouco tempo – em Portugal, por exemplo, os primeiros supermercados (com o seu reino do plástico), começaram a surgir nos anos 60. Antes disso as compras eram maioritariamente feitas a granel e as garrafas de vidro reutilizadas. À minha geração foi incutida, nas escolas, uma certa consciência ambiental – às gerações anteriores, não, porque nasceram numa época em que essas questões não tinham a importância que viriam a ter. Duvido que consigamos educar em massa as gerações mais velhas para as questões ambientais, a aposta terá que ser feita junto dos mais novos.


14 - Que conselhos darias a uma pessoa que está a fazer a transição para um estilo de vida vegetariano/vegan?

O mais importante é que cada pessoa encontre a sua motivação. Para mim, a combinação ética-saúde-ambiente é imbatível – quando fazemos essa ligação, não quereremos voltar atrás. Recomendo os documentários Earthlings (ética), Forks Over Knives (saúde) e Cowspiracy (ambiente). A abertura à informação e às mudanças que essa disposição pode trazer é, sem dúvida, o ponto central. O meu segundo conselho é que sigam o vosso próprio ritmo: se conseguirem eliminar todos os produtos de origem animal de uma assentada, excelente. Se tiverem que ir por passos, ótimo.





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26 dezembro, 2016

CHRISTMAS VEGGIE CHALLENGE - O Resultado Final


No seguimento do Christmas Veggie Challenge, decidi fazer para a minha ceia de Natal uma recriação do Bacalhau à Brás, substituindo o bacalhau por alho francês. Tenho a dizer que fica igualzinho, o alho francês fica tal e qual o bacalhau, quem não provar nunca diz que não tem bacalhau. A única coisa que aldrabei foi o uso de um ovo, o que torna esta receita ovovegetariana! Confesso que, na última semana, aconteceram uns imprevistos chatos que me roubaram muito tempo, logo não consegui dedicar-me ao planeamento de uma receita mais elaborada. Mas o que conta é a intenção e tenho a dizer que adorei esta minha ceia de Natal. [Escusado será dizer que mais ninguém quis provar, mas pronto!]


Alho Francês à Brás

[Fotografia da minha autoria]


- Alho Francês [1]
- Batatas [4 ou 5 médias]
- 1 raminho de salsa
- 1 cebola média
- 1 dente de alho
- 1 ovo
- Sal qb
- Azeite qb

Descascar e partir as batatas em palitos bem finos [tipo palha], temperar com sal e fritar em azeite. Depois de fritas, reservar.
Cortar o alho francês e saltear em azeite.
Cortar a cebola em meia lua, bem fininha, picar o alho e levar a refogar num tacho com um fio de azeite. Temperar com sal e deixar refogar até a cebola ficar translúcida.
Bater o ovo e adicionar a salsa picada.
Num tacho/frigideira grande colocar a cebola refogada, as batatas fritas, o alho francês e, por fim, o ovo com a salsa. Envolver tudo muito bem. E está pronto!

Assim sendo, acho que posso dizer que superei mais este desafio com sucesso. Obrigada Nádia pela iniciativa. E esperamos mais desafios destes!

[Ainda esta semana, irei publicar aqui no blogue uma entrevista que fiz à Nádia relativamente ao veganismo/vegetarianismo. Estejam atentos, acho que vão gostar de ler!]





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23 dezembro, 2016

Feliz Natal

[Imagem retirada daqui]

Mais um Natal que chegou. E eu gosto do Natal, gosto mesmo. Apesar daquela nostalgia normal que se apodera de mim nesta altura, não consigo deixar de me contagiar pela magia do Natal. Só tenho pena que, hoje em dia, essa magia não seja vivida com mais intensidade e verdade. Não sou contra os presentes, mas acho que o stress provocado pelo consumismo acaba por deixar as pessoas sem tempo para desfrutar do verdadeiro significado destes dias.

Apesar de toda esta euforia e alegria, não consigo deixar de pensar no que se passa por esse mundo fora. As guerras, a intolerância, a ganância desmedida, a maldade gratuita, a pobreza, a fome, tudo isso deixa o meu coração triste e apertadinho. Sinto uma certa impotência por não poder fazer nada, além de pequenos contributos. Penso em todas as crianças sem tecto, em todas as pessoas que fogem, em todos os sítios onde a paz é uma utopia e sinto as lágrimas a marejarem o meu olhar. E é nessas alturas que me sinto ainda mais grata. Grata por viver num país pacífico e livre. Grata por não ter de me deitar com medo de acordar a meio da noite e ter de fugir. Grata por ter um tecto para viver e comida na mesa. Grata por ter por perto as minhas pessoas e todo o seu afecto. Grata por ter um trabalho que me sustenta. Grata por ter saúde. Grata por tudo.

Neste Natal, o meu desejo mais sincero [porque devemos sempre pedir os nossos desejos] é que cada um de nós consiga encontrar a sua paz e o seu caminho. Que haja saúde e força interior. Que a energia do bem possa prevalecer sobre a tirania do mal. Que o pouco que possamos fazer seja motivo pelo qual lutar.

Para vocês, pessoas queridas, desejo um Santo Natal, com muita paz, serenidade, saúde, amor, alegria e esperança. Não deixem nunca de acreditar. E sejam felizes, imensamente felizes. Que o vosso coração transborde de felicidade e luz, contagiando todos aqueles que cruzem o vosso caminho. Namasté!


Feliz Natal!





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