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Bom Ano Novo

29 dezembro, 2016
Obrigada 2016

27 dezembro, 2016
Be Veggie | Entrevista com Nádia Carvalho Nunes
Gostava de me lembrar melhor, porque foi algo que começou
muito cedo. Via as vacas nos camiões a ser levadas para o matadouro e começava
a chorar - parecia-me absurdo que animais tão bonitos tivessem que morrer para
eu comer. A primeira motivação, antes de ser ética, foi empática.
2 – Fizeste a transição imediata para o veganismo ou
começaste pelo vegetarianismo? Para quem ainda não sabe, queres explicar as
diferenças entre veganismo e vegetarianismo?
Ao nível conceptual, o vegetarianismo estrito implica a
recusa da inclusão de produtos de origem animal na alimentação, ao passo que o
veganismo estende a preocupação com o bem-estar animal a todos os aspetos da
vida quotidiana, o que implica perceber que os animais não existem para servir
os humanos. Muitos veganos dirão que o vegetarianismo é uma dieta sem
ponderação ética e que o veganismo é um estilo de vida, mas eu sei que não é
assim porque não foi essa a minha experiência – fui ovolactovegetariana
(significa que não consumia carne ou peixe mas mantinha os ovos e derivados do
leite) durante alguns anos, e a minha motivação sempre foi ética. Estava a
fazer aquilo que conseguia na altura, e quando me senti preparada tornei-me
vegana.
3 –No seguimento da questão anterior, em que consiste seguir
um estilo de vida vegan [além da alimentação] em termos práticos?
Consiste em fazer o máximo que nos for possível para
minimizar a exploração animal. Significa não comer produtos de origem animal,
não usar peles, sedas, lãs, cosméticos testados em animais ou que contenham
ingredientes de origem animal na sua composição, não ir a circos, touradas,
parques zoológicos, etc. No entanto, ser vegano não é ser mártir – se estiver
doente e precisar de tomar uma vacina ou um medicamento que tenha sido testado
em animais, fá-lo-ei. Não há nenhuma bíblia nem mandamentos. Às vezes, quando
as pessoas não estão familiarizadas com estas questões, perguntam-me se posso
ou não comer esta ou aquela coisa. É importante que se perceba isto: eu posso comer um bife, não serei fulminada
por um raio se o fizer. Mas escolho
não o fazer.
4 – Há uma ideia pré-concebida de que os vegetarianos ou
veganos têm uma dieta alimentar muito restrita pois não dispõem de grande variedade
de alimentos de origem não-animal para confeccionarem as suas refeições. Queres
desmistificar esse conceito?
É, a bem dizer, um disparate. Eu passei a gostar de comida
precisamente quando deixei de comer animais. Quando comia carne e peixe a
proteína animal era centro das minhas refeições e os acompanhamentos não
variavam muito, pelo que tinha uma alimentação bem monótona. Enveredar a pelo
vegetarianismo foi descobrir um universo de sabor, variedade e abundância – o
oposto da conceção comum, portanto.
5 – Fazes algum suplemento alimentar [por exemplo, de
vitamina B12] ou a necessidade deste tipo de suplementos numa alimentação vegan
é mais um mito?
É verdade que uma dieta vegetariana tem que ser,
inicialmente, bem planeada. Mas o mesmo é verdade para uma dieta que inclua
animais e seus derivados, que é isso que as pessoas tendem a esquecer. Penso
que o correto será consultar um/a médico/a ou nutricionista que seja ele ou ela
própria vegetariana ou em quem confiem – isto, para mim, é muito importante,
porque os médicos não são deuses, a sua formação académica não é imaculada e
muito menos garantia de que estão livres de preconceito e desinformação. Uma
dieta vegetariana pode fornecer todos os nutrientes necessários, exeto a
vitamina B12. Mas como os humanos, à semelhança de outros animais, sintetizam
B12 no trato intestinal, a necessidade de suplementação dependerá da capacidade
de absorção de cada pessoa. De modo semelhante, os vegetarianos que consumam
diariamente produtos como leites vegetais podem não precisar de suplemento, uma
vez que esses alimentos são geralmente fortificados com B12.
6 – Desde que adoptaste este estilo de vida, quais são as
alterações positivas que sentes na tua saúde e bem-estar?
Nos meus anos de ovolactovegetariana, consumia imenso queijo
e ovos, muita comida excessivamente processada, muito sal, muito azeite. Recentemente
adotei uma dieta alta em hidratos de carbono e relativamente baixa em gordura e,
agora sim, senti uma grande mudança, particularmente ao nível do corpo – não
tenho celulite e a minha pele melhorou muito.
7 – Qual foi a reacção dos teus familiares e amigos mais
próximos quando lhes comunicaste o teu novo estilo de vida? Aceitaram ou
criticaram?
Criticaram. É assim que as pessoas reagem ao que não
conhecem, e ainda mais quando é uma decisão ética deste género. Repara que
estás, através da tua dieta, a colocar a conduta daquela pessoa em causa, porque
é como se estivesses a dizer que é possível viver sem matar. Muitas pessoas que
comem animais, quando confrontadas com a mera existência de um vegetariano, têm
tendência para achar “este tipo pensa que é melhor que eu” quando, na verdade,
isso não é mais que o resultado da sua própria consciência.
8 – Hoje em dia, já é mais fácil encontrar restaurantes
vegetarianos?
Depende muito do sítio. Portugal é um país com apenas duas
cidades grandes, onde é facílimo encontrar restaurantes vegetarianos (em Lisboa
há cada vez mais, o suficiente para, durante um mês, almoçar todos os dias num
restaurante diferente), mas nos sítios mais pequenos não. Mas mesmos nesses
casos, há sempre alternativas nos centros comerciais, nos restaurantes
chineses, nas pizzarias (pedindo a pizza vegetariana sem queijo). Às vezes
gosto de ir a um sítio não-veggie e pedir um determinado prato sem os produtos
de origem animal, como forma de passar a mensagem de que estamos aqui e
queremos alternativas.
9 – E no que diz respeito a produtos de beleza, por exemplo,
é fácil encontrar marcas que não testem em animais?
Não sendo facílimo, não é impossível. É que existem duas
questões: a dos testes em animais e a dos ingredientes de origem animal. A Too
Faced, por exemplo, não testa nenhum dos seus itens de maquilhagem em animais e,
adicionalmente, disponibiliza uma lista daqueles que são totalmente vegan-friendly. A Urban Decay é 100%
vegan. Os produtos da Caudalie não contêm ingredientes de origem animal mas,
infelizmente, a marca comercializa no mercado chinês, o que significa que os
seus produtos são testados em animais. Geralmente, uma pesquisa rápida resolve
o problema – conhecemos marcas novas e ficamos a saber quais, entre aquelas que
conhecemos, são livres de crueldade.
10 - Numa sociedade que ainda mantém os seus preconceitos e
as suas ideias rígidas, já alguma vez te sentiste, de certa forma, olhada de
lado por seres vegan?
Claro, maioritariamente pela família, principalmente numa
fase inicial, mas isso nunca me incomodou. Sou diferente em imensas coisas,
esta é uma entre tantas e nunca tentei esconder a minha diferença. Também já
fui julgada por veganos – por não ser ativista, por assumir que a saúde e a
forma física foram a motivação que me faltava para abandonar os ovos e o
queijo. E, claro, há os amigos que são capazes de abdicar de ir a um
determinado restaurante para me acompanharem àquele em que existe opção vegetariana.
São esses que valem a pena.
11 – Recentemente, fomos confrontados com uma reportagem
sobre a desflorestação da Amazónia, o grande pulmão do nosso planeta, devido à
conversão da floresta em terrenos de pasto para animais. O que pensas sobre
tudo isto?
É algo sobre o qual já tinha conhecimento há bastante tempo –
podemos atribuir à criação de gado bovino por 65% da desflorestação da
Amazónia. E a nível global, a indústria
agropecuária é uma das principais culpadas pela destruição de áreas verdes e pelo
efeito de estufa. É assustador, mas não é inevitável, e cada pessoa tem o poder
para ajudar a alterar essa realidade deixando de comer animais. O documentário
Cowspiracy explica isto muito melhor do que eu poderia fazer.
12 – Na tua opinião, o veganismo é um dos grandes contributos
para sustentabilidade do nosso planeta?
É impossível ser um ambientalista coerente sem ser vegano. Mas
atenção – não chamo hipócritas a essas pessoas, é uma palavra que comecei a
detestar porque vi usada de forma errada demasiadas vezes. Imagina uma pessoa
que tenta reduzir a sua pegada de carbono, recicla, compra roupa em segunda
mão, anda de autocarro mas come animais, quem sou eu para lhe dizer que, se não
faz tudo certo, mais valia não fazer nada? É este o argumento que ouço tantas
vezes contra os veganos, aquela ânsia de encontrar uma falha qualquer (que
haverá sempre, porque somos pessoas) para justificar que o próprio não faça
nada. Talvez um ambientalista não-vegano ainda desconheça a realidade da
exploração animal, ou então está consciente mas ainda não fez a conexão ética.
Independentemente do motivo, estará certamente a fazer alguma coisa, o que será
sempre melhor que não fazer nada.
13 – Achas que as pessoas estão mais conscientes
relativamente aos problemas que assolam o planeta terra ou nem por isso?
É difícil dizer. Acho importante lembrarmo-nos o quanto o
mundo mudou em tão pouco tempo – em Portugal, por exemplo, os primeiros
supermercados (com o seu reino do plástico), começaram a surgir nos anos 60.
Antes disso as compras eram maioritariamente feitas a granel e as garrafas de
vidro reutilizadas. À minha geração foi incutida, nas escolas, uma certa
consciência ambiental – às gerações anteriores, não, porque nasceram numa época
em que essas questões não tinham a importância que viriam a ter. Duvido que
consigamos educar em massa as gerações mais velhas para as questões ambientais,
a aposta terá que ser feita junto dos mais novos.

26 dezembro, 2016
CHRISTMAS VEGGIE CHALLENGE - O Resultado Final
No seguimento do Christmas Veggie Challenge, decidi fazer para a minha ceia de Natal uma recriação do Bacalhau à Brás, substituindo o bacalhau por alho francês. Tenho a dizer que fica igualzinho, o alho francês fica tal e qual o bacalhau, quem não provar nunca diz que não tem bacalhau. A única coisa que aldrabei foi o uso de um ovo, o que torna esta receita ovovegetariana! Confesso que, na última semana, aconteceram uns imprevistos chatos que me roubaram muito tempo, logo não consegui dedicar-me ao planeamento de uma receita mais elaborada. Mas o que conta é a intenção e tenho a dizer que adorei esta minha ceia de Natal. [Escusado será dizer que mais ninguém quis provar, mas pronto!]
Alho Francês à Brás
[Fotografia da minha autoria]
- Alho Francês [1]
- Batatas [4 ou 5 médias]
- 1 raminho de salsa
- 1 cebola média
- 1 dente de alho
- 1 ovo
- Sal qb
- Azeite qb
Descascar e partir as batatas em palitos bem finos [tipo palha], temperar com sal e fritar em azeite. Depois de fritas, reservar.
Cortar o alho francês e saltear em azeite.
Cortar a cebola em meia lua, bem fininha, picar o alho e levar a refogar num tacho com um fio de azeite. Temperar com sal e deixar refogar até a cebola ficar translúcida.
Bater o ovo e adicionar a salsa picada.
Num tacho/frigideira grande colocar a cebola refogada, as batatas fritas, o alho francês e, por fim, o ovo com a salsa. Envolver tudo muito bem. E está pronto!
Assim sendo, acho que posso dizer que superei mais este desafio com sucesso. Obrigada Nádia pela iniciativa. E esperamos mais desafios destes!
[Ainda esta semana, irei publicar aqui no blogue uma entrevista que fiz à Nádia relativamente ao veganismo/vegetarianismo. Estejam atentos, acho que vão gostar de ler!]

23 dezembro, 2016
Feliz Natal

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