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10 outubro, 2016

Mais Amor, Por Favor!


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Ultimamente, não há um só dia em que não me sinta deslocada deste mundo [melhor dizendo, desta sociedade em que me insiro]. Talvez o problema seja meu. Talvez me sinta mais leve e equilibrada, o que faz com que os desequilíbrios à minha volta ganhem toda uma outra dimensão. Não sei. Só sei [ou sinto] que as pessoas estão cada vez mais agressivas, cruéis, egoístas, superficiais. Não retribuem sorrisos, serem educadas parece uma obrigação. Congratulam-se com o sofrimento e a derrota alheia e enfurecem-se com o bem e a luz dos outros. Não têm amor dentro delas. Esse é o grande problema. Aliás, segundo a minha visão das coisas, o mal de tudo é a falta de amor, de amor universal, do amor que nos liga uns aos outros enquanto seres humanos. O amor é a base de tudo. O amor por nós próprios, o amor pela vida que nos é concedida, o amor por quem nos quer e faz bem, o amor desinteressado, sem segundas intenções. Falta amor nos dias que correm. Falta amor nas acções, nos sorrisos que não são dados, nos 'bons dias' a contragosto. Falta amor à natureza que tão generosa é para connosco, amor aos animais que tornam os nossos dias mais alegres, amor à brisa que nos refresca e ao sol que nos aquece. Falta amor. É esse o grande problema. E a falta de amor leva à intolerância, à ganância desmedida, à crueldade e à anulação da alma. Pode parecer um discurso um quanto melodramático este, mas é o que sinto e o que vejo diariamente. As pessoas estão pobres de amor. E este amor de que falo não é o amor que pauta as relações. Este amor de que falo é um amor maior, um amor de uma outra dimensão, um amor que nos faz respirar e pulsar e viver. Um amor traduzido na energia que nos alimenta e nos sustenta. É esse o amor que está em falta. E que falta que ele faz...!

04 outubro, 2016

Amizade | Quem me dera ter poderes mágicos


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Quando gosto de uma pessoa, gosto mesmo a sério, com todo o coração, daqui até ao fim do mundo. Uma dessas pessoas de quem gosto tanto está a passar uma fase menos boa. E eu sinto-me impotente por não poder fazer mais do que, apenas, escutá-la e confortá-la. Sei que isso já é uma grande ajuda, mas queria ter o dom de poder resolver a situação. Queria ter um bolso cheio de pozinhos mágicos que fizessem as coisa voltar ao devido lugar. Quem me dera ter esse poder. Sinto o coração partido ao meio por ver uma pessoa tão querida e tão boa pessoa [coisa tão rara hoje em dia] sofrer desta maneira. Deveria ser proibido as pessoas boas passarem por este tipo de provação. Assim como assim, resta-me continuar a oferecer o meu sorriso e os meus abraços e continuar a gostar desta maneira, até ao fim do mundo. Porque os amigos de verdade são um bem cada vez mais raro e precioso.

29 setembro, 2016

Miúda para sempre


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Sinto que serei sempre uma miúda. Apesar de estar cada vez mais perto dos trinta, sinto que ainda há uma miúda adolescente dentro de mim. Cresci, é verdade. Passei por várias experiências, algumas das quais dolorosas demais. Errei muito. Aprendi com esses erros. Deixei de ser tão impulsiva e intolerante. Tornei-me numa pessoa mais paciente e serena. Reaprendi a gostar de mim. Percebi que sou a pessoa mais importante da minha vida. Aprendi a dizer que não. Tantas, tantas aprendizagens ao longo destes anos. No entanto, bem lá no fundo, continuo a ser uma miúda. Posso já não abusar do eyeliner nem do preto total. Posso já não ser fã dos Linkin Park e dos Evanescence. Posso já não escrever poemas nas capas dos cadernos e dos livros da escola [agora escrevo-os em cadernos próprios!]. Posso já não ser intempestiva e levantar a voz no meio das aulas só para fazer valer as minha ideias feministas [o que me valeu alguns convites para ir apanhar ar]. Mas continuo a ser a mesma miúda com um coração arrítmico, que bate consoante as emoções. Continuo a acalentar sonhos e esperanças. Continuo a sentir-me extasiada de cada vez que a minha mãe faz bolo de chocolate de surpresa. Continuo a calçar ténis e vestidos aos quadros que me fazem parecer uma colegial. Continuo a não querer que o tempo passe e a desejar que o Peter Pan me venha buscar a meio da noite e me leve para a Terra do Nunca. No fundo, há uma criança eternamente viva dentro de mim. E eu não me importo. Não me importo minimamente que continuem a dizer-me para crescer. Não quero saber da opinião alheia. Porque é essa criança, porque é o facto de me sentir sempre uma miúda, que me ajuda a enfrentar os dissabores e as dores [do corpo e da alma] que me assolam. É mais fácil assim. E tão melhor!

26 setembro, 2016

Posso não saber bem o que quero, mas sei perfeitamente o que não quero


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Houve alturas da minha vida em que fui muito indecisa. Não sabia bem o que queria. Não sabia bem o que não queria. Ia vivendo na corda bamba, tentando encontrar o meu lugar e algo de que realmente gostasse. Nem sempre fui bem sucedida [melhor dizendo, na maior parte das vezes não fui bem sucedida]. O que me causou alguns dissabores provocados, precisamente, por passos errados por caminhos que não eram, definitivamente, para mim.

Hoje em dia, já não é assim. A partir do momento em que me assumi como a pessoa mais importante da minha vida e a única que pode opinar sobre a mesma, que me é mais fácil escolher e decidir. Nem sempre sei bem ou tenho a certeza do que quero. Mas já sei perfeitamente aquilo que não quero. E isso já é meio caminho andado. E é tão libertador. A sensação de não ter de me forçar a gostar de algo só porque os outros dizem que deveria gostar. O poder dizer 'não'. O poder assumir aquilo que não gosto e não quero na minha vida. É uma sensação tão boa. Sinto-me tão mais leve, tão mais em paz, tão mais fiel a mim mesma. E a fidelidade que devemos a nós próprios não deve nunca ser posta em causa.

21 setembro, 2016

O Drama, a Tragédia, o Horror



Hoje esqueci-me do telemóvel em casa. Em muitos, muitos anos foi a primeira vez que tal me aconteceu. Quando chego ao metro e percebo que não tenho o telemóvel na carteira foi como se todo o meu mundo ruísse. Comecei a hiperventilar, com taquicardia e até me vieram as lágrimas aos olhos [ridículo, eu sei, mas foi mesmo isso que aconteceu]. Basicamente, tenho metade da minha vida no telemóvel. É com ele que envio dezenas de emails todos os dias, faço marcações, agendo visitas com os utentes, onde tenho o meu horário de cada mês, enfim, a minha vida profissional depende muito de tudo o que lá tenho. Daí o pânico que se instalou em mim. Já para não falar da parte de lazer. Enfim, todo um drama se fez na minha mente insana. Ainda ponderei voltar atrás para o ir buscar. Sim, pus a hipótese de chegar atrasada ao trabalho por causa do telemóvel. Mas não o fiz. E, milagre dos milagres, consegui sobreviver a um dia inteirinho sem este pequeno aparelho de demo. E percebi a dependência que tenho dele. Uma pessoa nem se apercebe do como está 'agarrada' até ao dia em que isto acontece. Fiquei seriamente preocupada comigo mesmo quando quase tive uma crise de ansiedade por causa de me ter esquecido do telemóvel em casa. A verdade é que é como se ele já fizesse parte da nossa anatomia, como se fosse um braço ou uma mão que temos a mais e sem a qual já não conseguimos viver. E isto é grave. E nada saudável. Estes lindos aparelhos electrónicos vieram ajudar-nos em muito, mas também nos tornaram altamente dependentes deles. E tudo aquilo que provoca dependência não é bom. Assim como assim, tenho de começar [urgentemente] a deixar de estar tão dependente de um simples aparelho electrónico. E praticar a arte do desapego [quando uma pessoa pensa que já está num nível energético acima, acontecem estas coisas para me fazer perceber que ainda sou um simples e reles ser vivo dependente de coisas tão parvas como de um telemóvel].

14 setembro, 2016

Fibromialgia | 'O que há em mim é sobretudo cansaço'


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Parafraseando o meu querido Fernando Pessoa [em versão Álvaro de Campos], posso dizer que o que há em mim é sobretudo cansaço. Físico e psicológico. Basicamente, estou cansada de estar cansada. Um dos primeiros sintomas da fibromialgia que eu tive foi o cansaço. Agora sei o porquê de, já há dois ou três anos, me sentir constantemente cansada. Sempre associei essa fadiga ao trabalho ou a esforços mais exagerados, no entanto, esse cansaço começou a ser recorrente e incapacitante. Além da dor, aquilo que mais me custa é estar sempre cansada. E quando digo sempre, é mesmo sempre, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Há dias piores do que outros em que, quando acordo, me pergunto onde vou eu buscar forças para me levantar e enfrentar mais um dia. Há dias em que até choro pois a sensação de fadiga é tal que me vejo completamente impotente perante a vida, perante a minha própria vida que me espera lá fora. Enfrentar um cansaço constante não é fácil. Por vezes, subir um simples lanço de escadas faz com que fique tonta e tenha de me sentar de imediato, tal foi o esforço empregue para tal. Pode parecer ridículo mas é verdade. Isso e adormecer no metro ou no autocarro mal encosto a cabeça ao vidro. As mais simples tarefas, como tomar banho ou arranjar o cabelo, exigem de mim uma força hercúlea. É como se o meu corpo pesasse o dobro. Como se cada braço e cada perna fossem barras de betão ou de ferro. Como se, a cada momento, fosse faltar-me o ar. E todo este cansaço físico provoca um tremendo cansaço psicológico. Porque me sinto triste. Porque me sinto inútil. Porque não consigo fazer o que os outros fazem [como correr maratonas ou fazer uma simples aula de aeróbica]. Porque não me sinto eu. Há mais de um ano que não me sinto eu, que estranho este corpo que está tão diferente e que teima em não me corresponder. [E não vale a pena dizerem que há quem esteja pior pois sei muito bem disso.] Estou cansada, estou mesmo cansada de estar cansada.

11 setembro, 2016

Parabéns Avô


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Se o meu avô ainda cá estivesse faria hoje oitenta e um anos. E seriam oitenta e um anos de uma vida preenchida de afectos e amor. E eu poderia oferecer-lhe uma camisa, ou um lenço de bolso, ou um simples ramo de flores apanhadas à revelia nos canteiros lá de casa, ou mesmo um simples desenho borratado a aguarela em que exprimia todo o amor que por ele sinto. Infelizmente, já não lhe posso dar nada disso. Posso, apenas, refugiar-me na saudade e na doce recordação dos momentos que passámos juntos. Resta-me a certeza de que fui uma neta muito feliz e de que o meu avô foi um avô muito feliz. Tanto aprendi com ele. Quem me dera ter metade da bondade e generosidade do meu avô. Quem me dera ter a sua capacidade de simplificar, de fazer da vida algo maravilhoso e viver como se cada dia fosse o último. O meu avô viveu cada dia como se fosse o último. Não deixou nada por fazer. Foi feliz. Foi imensamente feliz. Tenho a certeza. E fez-nos tão felizes. Quando me sinto triste e com vontade de desistir de tudo, lembro-me do olhar azul [o olhar azul mais bonito que eu já vi] e do sorriso franco do meu avô e quase que lhe adivinho as palavras "Não tenhas medo Ninita, tu és capaz!". Se o meu avô ainda cá estivesse faria hoje oitenta e um anos. Todos os dias lhe sinto a falta. Todos os dias sou grata por ter tido o privilégio de ser sua neta.

08 setembro, 2016

Memórias

[Fotografia da minha autoria]

Esta rosa [artificial] foi-me oferecida por um estudante de Coimbra há mais de dez anos. Estava eu no meu décimo segundo ano quando fizemos uma visita de estudo à Universidade de Coimbra. E nesse mesmo dia andava uma tuna pelas ruas a cantar e a oferecer rosas às meninas e senhoras. E a mim calhou-me uma, logo a mim, a miúda das jardineiras e all stars, com um lenço na cabeça a fazer de bandolete [algo extremamente apelativo como podem imaginar]. Acho que foi nesse momento que me apaixonei pela vida académica. Um ano depois, estava eu, efectivamente, no meu primeiro ano de faculdade. Feliz por estar a viver tudo aquilo, a vida académica com a qual tinha vindo a sonhar durante um ano. Triste [uma tristeza que só hoje compreendo] por ter a certeza de que aquele não era o meu lugar. Hoje, ao remexer numa das minhas caixas de recordações à procura de umas fotografias antigas encontrei esta rosa por lá esquecida. E com ela encontrei memórias de um tempo que é já tão distante. Já não sou a miúda das jardineiras, nem das all stars, nem do lenço na cabeça a fazer de bandolete. Mas, no fundo, continuo a ser a mesma miúda cheia de sonhos e de esperança, mesmo depois de a vida nem sempre me ter tratado bem.

07 setembro, 2016

Amor I Love You | Medo

[Ilustração de Black&Bunny]

Hoje decidi assumir publicamente o medo insano que tenho do amor. Melhor dizendo, o medo insano que tenho de voltar a gostar de alguém, gostar de verdade, aquele gostar com direito a borboletas na barriga e taquicardia constante. Eu, que já consegui ultrapassar tantos medos e recuperar uma certa paz de espírito e serenidade, não me sinto capaz de conseguir combater este medo. É algo quase irracional. E juntando a isto o facto de ter uma falta atroz de pontaria para homens decentes faz com que tudo seja ainda mais complicado. De cada vez que denoto algum interesse por parte do sexo oposto, arranjo logo mil e uma desculpas para me escapulir. Ora invento defeitos na pessoa. Ora acho que é mais um sacana [e na maioria das vezes até tenho razão]. Ora convenço-me de que estou bem é sozinha e que a última coisa de que preciso é de um homem a atazanar-me a vida. Tudo desculpas pois a verdadeira razão do meu bloqueio amoroso é mesmo o medo. Falo disto com alguma leveza mas a verdade é que é algo que me perturba e não me deixa avançar. É algo que ainda não consegui resolver dentro de mim e, sinceramente, não sei se algum dia irei conseguir. Pensar na possibilidade de voltar a gostar de alguém e sofrer horrores como já sofri faz-me não dar esse passo em frente. Fecho-me em copas, construo muros e andaimes à volta do meu coração e abafo o medo focando a minha atenção noutras coisas. Mas a verdade é que preciso de exorcizar tudo isto, fazer uma catarse como já fiz com tantos outros aspectos da minha vida emocional. A questão é que não sei como. Então, continuo a deixar-me vencer pelo medo e a recusar dar-me a conhecer só para não vislumbrar sequer a possibilidade de haver algum sentimento mútuo. Confuso, eu sei. Assim como assim, se tiverem conselhos bons ou se conhecerem algum guru do amor, façam o favor de partilhar aqui com a menina!

06 setembro, 2016

Não podemos voltar atrás


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Não podemos voltar atrás e mudar as escolhas que fizemos. O máximo que podemos fazer é viver em paz com essas mesmas escolhas [por mais erradas que elas tenham sido]. Não é fácil aceitar o facto de termos feito más escolhas, de termos escolhido caminhos que não eram verdadeiramente nossos. E menos fácil é aceitar as consequências dessas mesmas escolhas, em especial o sentimento de frustração e de impotência face àquilo que não é passível de ser alterado. Infelizmente, não podemos passar uma borracha sobre a nossa vida e começar de novo, do zero. Não podemos, simplesmente, voltar atrás. No entanto, podemos [e devemos] aprender a viver com as escolhas que fizemos. Podemos tentar viver em paz com elas. Aceitar o erro, perdoarmo-nos [essa tarefa tão difícil] e seguir adiante com a nossa vida. Encontrar serenidade nos dias que passam e procurar o equilíbrio. Fazer do passado uma aprendizagem e evoluir a partir daí. Não é fácil, sei-o bem. Todos os dias tento encontrar paz e viver serenamente com as escolhas que fiz. Há dias em que é mais fácil, outros em que é mais difícil [como tudo na vida]. Mas vou tentando, sempre. Tento focar a minha atenção na parte boa. Tento encontrar esperança em cada amanhecer. Confio que dias melhores virão, dias em que terei a maturidade e a serenidade necessárias para fazer novas escolhas, desta vez, acertadas e felizes.

31 agosto, 2016

Meu querido mês de Agosto - A Despedida


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Se, por um lado, acho que Agosto passou a correr, por outro lado acho que este Agosto se foi arrastando, dia-a-dia, com preguiça e sem pressa de acabar. Foi um mês agridoce. Tive as minhas merecidas férias. Mas também tive dias de trabalho infinito. Completei mais um ano de vida, junto daqueles que me são mais queridos. Continuo a não gostar de fazer anos mas sinto-me grata por poder acrescentar mais um à conta. Aproveitei muitos serões na varanda, a desfrutar do silêncio. E desfrutei de outros tantos sentada numa esplanada sem pensar em mais nada além do prazer de estar ali. Tive dias de crise, com dores horríveis e um cansaço extremo que quase me levou à loucura [obrigadinha fibromialgia!]. Como consequência, alteraram-me o esquema terapêutico, que eu continuo a não cumprir pois não quero viciar-me em analgésicos e depender deles para viver [sim, sou uma paciente rebelde e pouco cumpridora]. Meditei muito. Li imenso e comprei livros até ao final do ano, jurando a mim mesma que não compro mais nenhum enquanto não ler os que tenho [promessa que não irei cumprir, por certo]. Tive dias mais tristes, dias em que pus tudo em causa. E tive dias de felicidade imensa, daquela que quase não cabe no coração. Foi um bom mês, este querido Agosto que hoje termina. É sempre com nostalgia que o vejo dizer adeus. Fica aquela sensação de que poderia ter sido mais bem aproveitado. E fica a gratidão por todos os dias que ele me concedeu. Agora que venha Setembro, um mês de recomeços e de esperança renovada. Que saibamos sempre, em cada dia, encontrar algo dentro de nós que nos faça felizes.

30 agosto, 2016

Solidão disfarçada



Há tanta solidão por aí. Tanta gente que, aparentemente, tem uma vida cheia mas que, afinal, se vê mergulhada na solidão. Os motivos são variados mas há um ponto em comum: a falta de algo. E esse algo pode ser amor [nas suas mais variadas formas], objectivos, sonhos, esperança, oportunidades. Tanta coisa. Há dias em que eu própria me incluo nesse grupo de pessoas sós. Não porque esteja sozinha mas porque, por vezes, me sinto sozinha. E a solidão que mais dói é aquela que sentimos quando estamos rodeados de pessoas. Sou grata por tudo aquilo que tenho na minha vida. Não tenho motivos para me queixar, antes pelo contrário. Quando saio porta fora encaro o mundo com positividade e confiança. Tenho as minhas relações pessoais e profissionais, o meu trabalho, a minha pequena rede de amigos. Consigo ser bem sucedida nalgumas particularidades da minha vida. Ofereço sorrisos a quem comigo se cruza todos os dias. Tenho sempre uma palavra de conforto ou uma mão amiga para quem dela precisar. Considero-me uma pessoa serena e tranquila. Mas, quando à noite fecho a porta do meu quarto, é como se a solidão me encarasse de frente e dissesse 'bem-vinda'. É uma sensação de estranheza, uma sensação de estar completamente deslocada, a milhas do lugar onde deveria estar. É essa a pior parte dos meus dias, o momento em que tenho de conviver com aquilo que ainda está inacabado em mim. E é nesses momentos que sinto falta de um abraço de conforto ou de uma palavra ou, tão só e apenas, de um silêncio cúmplice.

29 agosto, 2016

Fome Emocional | Quando a comida é um refúgio

[Fotografia da minha autoria]

Há cerca de um ano e meio, mais ou menos, passei por uma fase complicada. Na verdade, foi um acumular de situações, desde crises de ansiedade até aos sintomas da fibromialgia. Aliás, foi nessa altura que fui diagnosticada, o que também não ajudou. Então, o que aconteceu foi que comecei a refugiar-me na comida. Quando me sentia mais ansiosa, comia. Quando sentia que estava prestes a entrar em pânico outra vez, comia. Quando não conseguia controlar as coisas à minha volta, comia. Quando tinha dores e me sentia cansada, comia. Doces, para ser mais concreta [bolachas, chocolates, bolos, todas essas coisas açucaradas]. Os doces passaram a ser uma espécie de aliados, um refúgio onde podia esconder-me e esquecer que havia um mundo chato lá fora. Cheguei a comer pacotes inteiros de bolachas de uma só vez, sem qualquer tipo de remorso no final. E andei assim uma data de tempo.

Quando não estamos bem emocionalmente, é muito fácil agarrarmo-nos àquilo que está mais à mão. É uma forma de esquecer o que nos está a magoar por dentro, esquecer os problemas para os quais pensamos não ter solução. No fundo, é uma forma de fuga, uma fuga de nós próprios e da dor que nos dilacera no momento. E é também uma falsa compensação para os vazios que temos cá dentro. Não é uma situação fácil de lidar. Tudo aquilo que é em exagero faz mal. Tudo aquilo que sai do padrão de equilíbrio acaba por ter repercussões na nossa saúde, física e emocional.

Os doces foram o meu refúgio durante algum tempo. Foram uma espécie de 'melhores amigos' silenciosos que apenas acalmavam as minhas dores e não opinavam sobre a minha conduta. Quando comia, sentia-me em paz, uma falsa paz que logo, logo dava lugar ao inferno que estava cá dentro, o que me fazia voltar a comer, e a sentir essa falsa paz. Era uma círculo vicioso que fez com que a minha relação com a comida fosse tudo menos saudável e equilibrada.

Felizmente, consegui superar essa fase menos boa. Com ajuda, com um longo caminho de auto-conhecimento e de redescoberta. Quando descobrimos aquilo que nos perturba, quando encaramos a dor de frente, quando nos fortalecemos por dentro e acreditamos em nós, deixamos de precisar de 'refúgios'. Hoje em dia estou bem, mais equilibrada, mais serena. Se ainda tenho uma vontade avassaladora de comer quilos de bolachas quando me sinto mais ansiosa ou quando algo corre menos bem? Sem dúvida. Mas já consigo controlar. Continuo a comer o meu docinho de vez em quando, mas de uma forma saudável, porque me apetece, porque me dá prazer e não porque preciso de algo que compense os vazios. É essa a grande diferença e a minha grande conquista!

26 agosto, 2016

Sonhos Analgésicos


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Na noite passada, uma noite pautada por sono entrecortado e dores insuportáveis, sonhei que estava em Nova Iorque. E era Natal. E, de repente, começou a nevar. E havia luzes e enfeites por toda a parte. Parecia tudo tão real. Quase que conseguia sentir a neve fria a tocar-me na palma da mão. Tudo tão mágico. Tudo tão pacífico. Tudo tão sem dor. De repente, acordei em sobressalto. Triste por ter sido apenas um sonho. Mas com menos dores. Os sonhos, aqueles que temos enquanto dormimos ou enquanto estamos acordados [que, não raras vezes, se confundem], têm esse poder de analgesia. Apaziguam as dores, acalentam o corpo e a alma. Podem nada resolver, mas dão-nos momentos de conforto. E, por vezes, precisamos só e apenas de algo que nos conforte, de uma espécie de balsamo com efeito analgésico. Fica a esperança de, um dia, estar mesmo em Nova Iorque, e ser Natal, e começar a nevar, e não haver mais dores.

23 agosto, 2016

Fibromialgia | A Dor


Esta reflexão está incluída no tópico 'Fibromialgia' mas pode ser transposta para a vida em geral. Quando se fala de dor, a tendência é cada pessoa tentar sobrepor a sua à dos outros. Ou o contrário, achar que a sua dor é menos do que a dos outros. É verdade que, teoricamente, a dor é passível de ser avaliada e até quantificada. No mundo da saúde há, inclusive, escalas que o fazem ou, pelo menos, tentam fazê-lo. No entanto, continuo a achar que é muito difícil, se não mesmo impossível, quantificar a dor. A dor é algo mais subjectivo do que aquilo que pode parecer. Não há duas dores iguais. Não há dores maiores nem dores menores. Na minha modesta opinião, cada pessoa sente a dor à sua maneira. Cada pessoa tem um limite próprio de tolerância à dor. E cada dor é uma dor, não devendo nunca ser desvalorizada.

A dor que eu sinto não é maior nem menor do que a dor de ninguém. É, simplesmente, diferente. Porque é minha. Porque a sinto à minha maneira. Porque não dói sempre da mesma forma. E, por estar associada a uma doença crónica, não faz com que eu me habitue a ela, nem por sombras. Cada dor é igual a si própria, repleta de meandros e de armadilhas. Por vezes [na maior parte das vezes, para ser sincera], extravasa o plano físico e invade a alma, transpondo a barreira do racional, apoderando-se das emoções e toldando o discernimento, tal e qual as ervas daninhas. E o contrário também acontece, há dores emocionais tão fortes e dilacerantes que a única forma de se fazerem ouvir e notar é transpondo-se para o plano físico. Seja como for, cada dor merece respeito. Cada pessoa com dor merece ser respeitada e não sobre ou subvalorizada por isso. Cada pessoa sente a dor à sua maneira. Por isso, não há dores iguais, maiores ou menores. Cada dor é como é, da mesma forma que cada um é como cada qual.

18 agosto, 2016

Vinte e Nove

[Imagem retirada daqui]

Diz que faço vinte e nove anos hoje. Como já estão cansados de saber, não gosto de fazer anos. Até aos dezoito adorava este dia, era sempre uma festa, fazia questão de celebrar esta data com pompa e circunstância. Agora não. Se pudesse, saltava este dia. Apesar de gostar mais de mim agora do que há dez anos atrás, de me sentir mais serena, confiante e equilibrada, a passagem do tempo continua a ser o meu calcanhar de Aquiles. No entanto, sinto-me grata por mais um ano de vida. Por ter saúde [na medida do possível], por ter por perto quem amo, por me ser dada a oportunidade diária de me conhecer melhor e de evoluir enquanto ser humano. Pensando bem, tenho mais motivos para festejar do que para me entristecer. Por isso, parabéns para mim!

15 agosto, 2016

"A vida resolve-se sozinha"

[Fotografia da minha autoria]

Esta frase não é minha, é da autoria da Catarina Beato, autora do blogue Dias de uma Princesa. A Catarina é a minha blogger favorita na categoria de bloggers mais conhecidas. Gosto da forma simples e profunda como escreve, da forma como expõe o que sente. Identifico-me com ela em vários aspectos. E, hoje, compreendo o sentido desta sua frase que diz 'a vida resolve-se sozinha'. Na maior parte das vezes, é mesmo assim, por mais estranho e irreal que nos possa parecer. Temos sempre a ideia de que as coisas só têm solução se a forçarmos, se estivermos sempre a insistir. Mas, por vezes, o melhor que temos a fazer é parar um pouco, dar espaço, respirar, acalmar. Como se costuma dizer, dar tempo ao tempo, para que a vida possa reorganizar-se por si só, para que, aos poucos, tudo se encaixe no devido lugar de forma simples e natural. E eu posso falar por experiência própria. Passei por uma fase muito má há cerca de um ano atrás. Estava sem trabalho, com um distúrbio de ansiedade brutal [que me levou aos ataques de pânico em menos de nada], completamente perdida e segregada a nível emocional e, como se não bastasse, foi quando recebi o diagnóstico da fibromialgia e a sentença de uma doença sem cura para o resto da vida. Senti-me no fundo do poço, sem luz, sem ar, sem nenhuma mão que me pudesse erguer. Foi então que, ao invés de continuar a tentar livrar-me de tudo isso de forma desenfreada e desesperada, decidi parar, dar espaço para que as coisas se resolvessem. E resolveram. Iniciei um processo de auto-conhecimento, deixei de forçar as coisas, deixei de ser controladora e impaciente. E a vida começou a resolver-se por si só. E pude, então, constatar que há momentos e situações em que a vida se resolve mesmo sozinha. Só temos de lhe dar espaço. Só temos de nos dar espaço.

14 agosto, 2016

As férias acabaram, e agora?



Estas duas semanas de férias, na minha cabeça, foram o equivalente a dois dias que passaram enquanto eu pestanejava os olhos. Tinha mil e um planos para fazer nestas mini-férias. Escusado será dizer que, além de não ter cumprido um quarto daquilo que tinha previsto, acabei por também não descansar tanto quanto necessitava. No entanto, nem tudo foi mau. Passei tardes muito boas em esplanadas a ler. Aproveitei bem o meu jardim, como há muito não fazia, para meditar ou simplesmente estar em silêncio. Deitei-me algumas vezes na minha varanda, à noite, a olhar para as estrelas e a ouvir folk [ando viciada]. Não fui um único dia à praia porque, simplesmente, não me apeteceu.

Amanhã regresso à rotina de trabalho, nem sei como. Acho que precisava de mais duas semanas de férias. Ou de mais quatro. Pronto, estou a exagerar. Mas não deixa de ser verdade que me vai custar. E a razão principal é a falta, cada vez maior, de força física para tal [o motivo vocês já sabem]. Assim como assim, resta-me recomeçar a pensar [de forma positiva] a minha vida profissional e até quando conseguirei aguentar o ritmo.

11 agosto, 2016

Isto da passagem do tempo

[Fotografia da minha autoria]

Daqui a exactamente uma semana faço vinte e nove anos. Vinte e nove. Não me conformo. Acho que já disse aqui várias vezes que não gosto de fazer anos. Não gosto da passagem do tempo. Está tudo a passar depressa demais e nem sempre consigo desfrutar dos momentos como gostaria. Parece que ainda ontem era a miúda de fita no cabelo e saia de balão a correr pelos jardins atrás das borboletas e, afinal, já estou quase nos trinta. Não me conformo.

10 agosto, 2016

Blogosfera | Pessoas queridas que entraram na minha vida


Nunca pensei que isto de ter um blogue pudesse ir além disto mesmo: escrever umas coisas, receber alguns comentários com trocas de ideias e pouco mais. Estava redondamente enganada. Já ando nestas andanças há tempo suficiente para poder dizer que a blogosfera me trouxe pessoas incríveis. Desde os tempos remotos do meu antigo blogue até aos dias de hoje, tenho conhecido pessoas fantásticas, algumas das quais já posso considerar amigas. E não é exagero, acreditem. Só para vos dar um exemplo, quando fui diagnosticada com fibromialgia, uma das pessoas que mais apoio me deu foi a Patrícia, que conheci através da blogosfera, e que foi [e é] mais amiga do que pessoas que eu considerava amigos de muitos anos.

Hoje, fui novamente surpreendida por mais uma amiga aqui do mundo dos blogues: a Catarina. Para quem não conhece, a Catarina tem um talento surreal para desenho e ilustrações e moda [não é por acaso que está a estudar design de moda]. Tem um projecto muito giro que partilha através do instagram - somebunny - e hoje fui surpreendida com uma ilustração lindíssima da minha pessoa [melhor do que o original!!]. Fiquei muito sensibilizada com este gesto da minha querida Caty. Acredito, mas acredito mesmo, que ainda vamos ouvir falar muito desta menina cheia de talento e de amor àquilo que faz. Porque, de facto, quando talento e amor se juntam, acontece magia. [E não te esqueças Caty, se algum dia me casar o vestido é por tua conta, já sabes!!]